quinta-feira, 18 de novembro de 2021

Depressão: quando ela se torna grave

Depressão: quando ela se torna grave

A depressão é uma das doenças mais comuns da atualidade. Só no Brasil são 16,3 milhões de pessoas depressivas, segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS).

Ela possui uma característica singular que dificulta o reconhecimento dos sintomas depressivos: ela se acomoda silenciosamente na vida das pessoas. Isto é, muitos só buscam ajuda de psicólogos quando a doença se encontra em estágio grave por não terem notado as mudanças em seu comportamento antes.

Nesta fase, os sintomas podem ser severamente debilitantes e interferir em praticamente – ou todas – as esferas da vida do depressivo. Eles impedem que ele trabalhe, durma e se alimente.  

A transição da depressão moderada para a grave também costuma acontecer sem que as pessoas tenham consciência do quão estão doentes. Normalmente, é o aviso de um parente, cônjuge ou amigo que leva o depressivo a considerar essa possibilidade.

Neste post, discutiremos em detalhes quando a depressão se torna grave e como identificar os sinais do agravamento.

O que é depressão profunda?

O termo ‘depressão profunda’ é popularmente utilizado para descrever o estágio avançado dessa doença.

Ele se refere a sensação de ‘dominação’ que as pessoas depressivas sentem, como se não tivessem controle sobre seus pensamentos, ações e emoções.

Também faz alusão a necessidade de maior esforço e tempo para o depressivo deixar esse estágio. Os seus pensamentos e emoções atingem um nível extremo de negatividade. Tudo o que ele faz ou pretende fazer é encarado com desinteresse, ou está fadado ao fracasso.

A sua opinião sobre si mesmo é desagradável. Ele pensa que é uma pessoa incompetente, indesejável, inútil e não merecedora do amor daqueles que o cercam. Pode até mesmo chegar a acreditar que amigos, familiares e cônjuge não o querem mais em razão de seus inúmeros defeitos.

A sua visão niilista da vida o encoraja a evitar compromissos diários, interações sociais e buscar ajuda psicológica. Se essa mentalidade não é desafiada, pensamentos suicidas podem começar a rondar a mente do depressivo. 

Psicólogos recomendam que pessoas com suspeita de depressão busquem ajuda o mais rápido possível para evitar o agravamento da doença. Em casos de emergência, devem contatar o Centro de Valorização da Vida (CVV).

Outra característica da depressão profunda é a fadiga constante. O depressivo não possui energia para fazer coisas simples, como afazeres domésticos ou conversar, e pode ter muita sonolência durante o dia. Assim, ele gradativamente deixa de executar atividades que antes faziam parte da sua rotina.

Sintomas da depressão profunda

Os sintomas da depressão grave são similares ao da depressão moderada ou do estágio inicial da doença. A diferença entre eles reside na intensidade e constância.

Uma pessoa com início de depressão tem pensamentos negativos, falta de energia e oscilações de humor bruscas, mas ela ainda consegue trabalhar, se socializar e concluir atividades. Seus sonhos e objetivos de vida ainda são importantes para ela.

Como os sintomas dessa fase são leves, ela pode conseguir perceber sozinha que o seu estado de humor decaiu de repente e buscar ajuda.

Já uma pessoa com depressão profunda possui dificuldade para se importar com comportamentos disfuncionais. O passar dos dias é lento e desagradável, sem perspectiva de melhora. Ainda assim, ela não consegue encontrar razões ou energia para se importar com seu bem-estar.

Abaixo, veja alguns sintomas que indicam que essa condição atingiu um nível grave:

  • Mudanças bruscas no apetite;
  • Insônia;
  • Tristeza inexplicável e constante;
  • Falta de energia crônica;
  • Inabilidade de se concentrar;
  • Baixa autoestima;
  • Desinteresse pelas atividades que gostava;
  • Apatia;
  • Incapacidade de sentir prazer ao fazer algo divertido ou do seu gosto;
  • Sentimento de culpa;
  • Contemplação frequente sobre o significado da vida e seu propósito no mundo;
  • Mentalidade pessimista;
  • Inquietação; e
  • Pensamentos suicidas.

Como identificar a depressão profunda?

Embora você tenha conhecimento dos sintomas, ainda pode ser difícil chegar à conclusão que você tem depressão profunda.

Como dito, essa condição de saúde mental costuma se desenvolver e se agravar sem que as pessoas tenham consciência disso. Enquanto seus comportamentos e jeito de falar parecem atípicos ou diferentes para os outros, para elas, eles não apresentam nenhuma mudança.

Aos olhos delas, os sintomas depressivos fazem parte da sua personalidade. Pensam que “sempre foram assim” e pronto.

Essa característica também dificulta a aceitação de comentários e conselhos de terceiros sobre a sua saúde mental. O depressivo pode ficar ofendido ao ouvir alguém sugerir que ele pode estar doente. Deste modo, familiares, amigos e cônjuge podem levar tempo para convencê-lo a visitar um psicólogo.

Se você já conseguiu notar algumas diferenças no seu modo de agir, não aguenta mais sentir mal-estar emocional ou já recebeu comentários de múltiplas pessoas sobre seu humor deprimido, analisar o estado da sua saúde mental é o próximo passo.

Questionamentos que você pode fazer

Abaixo, listamos algumas perguntas para ajudá-lo a identificar se seu comportamento corresponde ao de uma pessoa cuja depressão se tornou grave.

Ele não tem o propósito de diagnosticá-lo, mas, sim, ajudá-lo a tomar uma decisão acerca do estado da sua saúde mental.

Os Psicólogos

Conheça a equipe de psicólogos do nosso consultório. Confira o perfil e área de atuação de cada profissional.

A EQUIPE DE PSICÓLOGOS

  1. Você tem dificuldade para dormir à noite com frequência?
  2. Você se sente inexplicavelmente cansado durante o dia?
  3. Você tem planos e sonhos, mas eles parecem inalcançáveis ou irrelevantes para a sua vida neste momento?
  4. Você perdeu interesse nas coisas que antes lhe despertavam entusiasmo e motivação, como esportes, hobbies e trabalho?
  5. Você faltou ao trabalho/faculdade mais de uma vez no último mês, pois estava muito cansado ou desinteressado em sair da cama?
  6. Você inventa desculpas para justificar a sua indisposição, como ter dormido mal ou estar passando por uma fase difícil?
  7. Você tem estado mais irritado e impaciente nas últimas semanas?
  8. Você não consegue ver o lado positivo das situações?
  9. Você tem pensamentos de automutilação ou suicido, do tipo “seria melhor se eu não estivesse aqui” ou “as pessoas seriam mais felizes se eu não existisse”?
  10. Você tem comido muito mais ou menos que o habitual nas últimas semanas?
  11. Você evita conversar com as pessoas por se sentir cansado ou impaciente?
  12. Você não tem vontade de trocar de roupa, escovar os dentes, tomar banho e pentear o cabelo?
  13. Você tem vontade de chorar sem motivo?
  14. Você pensa que ninguém gosta de você ou fingem gostar?
  15. Você se culpa por todas as coisas ruins que acontecem ao seu redor?

Tratamentos para a depressão profunda

A psicoterapia é um tratamento comum e eficaz para a depressão, desde os estágios iniciais até quando se torna grave. Ela ajuda as pessoas depressivas a compreenderem seus próprios sentimentos e condutas, bem como a se ajustarem às situações que agravam os sintomas depressivos.

A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é uma das abordagens psicológicas mais recomendadas para o tratamento da depressão. Ela tem como foco modificar padrões de pensamento e comportamento desfavoráveis e crenças que causam sofrimento ao indivíduo.

Dessa maneira, ele consegue encontrar maneiras mais saudáveis e satisfatórias de pensar e agir tanto no cotidiano quanto em situações de estresse. Também desenvolve crenças mais positivas e condizentes com a realidade com o tempo.

Essa abordagem é prática e direto ao ponto, com o psicólogo fornecendo direções sobre o que o paciente pode fazer durante as sessões e momentos livres para se ajudar a melhorar.

Além do psicólogo, a pessoa com depressão profunda pode se consultar com um médico psiquiatra. Medicamentos podem ser necessários para ajudá-la a controlar sintomas debilitantes, possibilitando que volte a ter uma vida funcional e se concentre no tratamento psicológico. Os remédios devem ser tomados sempre mediante orientação do psiquiatra.

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COMO ESCOLHER O SEU PSICÓLOGO

É muito comum haver recaídas ao longo do acompanhamento psicológico. Não é esperado que uma pessoa com depressão profunda se recupere da doença do dia para a noite. Pode levar muitas semanas, meses ou anos para o paciente chegar nesse ponto.

As recaídas costumam causar muita frustração, raiva e tristeza, embora não sejam sinais de retrocesso no tratamento. Por isso, é importante que o paciente receba apoio durante esses períodos de vulnerabilidade.

O suporte da família e de pessoas próximas é indispensável durante o acompanhamento psicológico. O depressivo precisa sentir que seus entes queridos estão com ele em sua jornada de cura.

Com demonstrações de apoio e carinho, ele terá mais capacidade para combater pensamentos autodepreciativos que tentam lhe convencer de que é uma pessoa cuja existência não tem propósito.

Além disso, pessoas queridas podem se oferecer para fazer atividades estimulantes com o depressivo para incentivá-lo a retomar a vida normal gradativamente.

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